Showing posts with label tonterias. Show all posts
Showing posts with label tonterias. Show all posts

Sunday, July 22, 2007

um

estava ali na beira da praia.
brincando, construía um castelinho.
mas aí veio a onda....
e o castelinho ficou pronto.
acabou-se a brincadeira.
talvez demore um pouco
até começar a construir outro.
mas já arrumei um prazo.
vou contar até um.
um.

Wednesday, May 23, 2007

aquecimento global, auto-crítica e uma promessa














pra você ver como são as coisas, e a importante tarefa social dos cartunistas. ri muito, de mim, ao me ver nesta ilustração do bob englehart no site da telesurtv ontem. não sou usuária de fast food, mas confesso que vez ou outra adoro dar um discursinho e pregar uma moralzinha plástica quando me oferecem sacolinhas plásticas por aí (sobretudo quando se trata de algo que caiba perfeitamente na bolsa ou mochila que já são como prolongamentos do corpo), para logo em seguida sair rua afora alegremente poluindo com meu carrinho. tá certo, mas a pessoa vai aprendendo. o caso é que é sempre muito mais fácil julgar a atitude alheia, e isto é fato. e ao dizer isso agora chego a quase entender estas pessoas todas que parecem saber muito melhor que eu sobre o que devo fazer, onde, como, quando e com quem.
mas tudo bem. normalmente digo que não prometo nada, mas daqui pra frente prometo usar mais a bicicleta, prometo, tá prometido.

Monday, May 21, 2007

precisamente

preciso desesperadamente interromper a leitura
das cartas trocadas entre heidegger e hannah arendt
(esta já deve ser a quinta tentativa).
preciso fotografar e pintar mais
preciso pintar a casa!
preciso ser mais sabida
preciso ler menos
preciso ler mais, mas outras coisas
aliás preciso saber o que afinal estou lendo
coisa que nunca vai acontecer, pois antes precisaria parar de ler
sempre ao menos três ou quatro livros ao mesmo tempo.
preciso parar de não organizar tanto,
torres de livros, revistas, jornais, anotações,
bobagens, cds, dvds, coisinhas
se acumulam nas estantes, sofás, corredores, bocas de cachorros. não dá mais.
preciso reler fernando pessoa,
vai ser o livro do desassossego, isso está decidido.
preciso escrever sobre a coisa dos números.
preciso parar de contar
e de implicar com os números pares e com as
letras maiúsculas.
preciso outras coisas
preciso as mesmas coisas,
mas em doses diferentes.
preciso não caminhar menos.
preciso de mais trabalho
e de quebra adicionar mais tempo aos dias.
preciso continuar imitando meu pai em tudo o que ele não fazia.
preciso decidir para onde vou
preciso ir logo.
preciso prescindir de te precisar.
preciso não prescindir de precisar
preciso não precisar de nada disso.

são alguns dos planos pra semana, semanas, alguma semana..
e boa semana aos que passarem por essas bandas.

Sunday, May 20, 2007

sol de outono










coisa boa terminar um trabalho bem antes do prazo e poder ir pra rua curtir a tarde de sol. só preciso parar de me sentir meio órfã dos trabalhos concluídos. o mesmo se aplica aos livros que termino de ler. aliás, preciso também outras coisas. depois que o sol fugir para o japão, fujo para cá e escrevo sobre isso. (ou não?)

abaixo, o sol, por arnaldo antunes:

nessa época o sol é mais frio
porque ele se divide em mil
mas para lá de janeiro
ele volta a ficar inteiro

agora o sol parece uma laranja madura
porque ele está sem pintura
mas quando entra março
parece a cara de um palhaço

tem dias que o sol vai embora
tem noites que não tem aurora
às vezes ele fica no japão
e só volta quando chega o verão

agora que o sol está bravo
parece uma moeda de um centavo
mas quando se alegra, o sol
fica maior que uma bola de futebol

o sol está brilhando muito claro
porque hoje é seu aniversário
nesses dias ele quase cega
e quem é cego quase enxerga

o sol está sempre ali no céu
a terra é que faz o carrossel
de noite o sol apaga sua chama
e dorme debaixo da minha cama


Tuesday, May 08, 2007

Saturday, May 05, 2007

travessuras





































lembrando que é só clicar nas imagens para ampliá-las.

a saideira, e carta aberta














no sábado passado o joão, meu blog-companheiro no vozes do sul, foi de mala e cuia para santa catarina. ele quer me puxar pra lá, e é mesmo possível que em breve eu mude daqui para algum lugar, talvez lá, talvez lugares outros, ainda não sei. por enquanto vou ficando, gosto daqui. mas mantenho uma perspectiva de mudanças à vista.

por uma até compreensível tentativa de rotular o relacionamento humano e encaixá-lo nos moldes de relações 'disponíveis' por aí, em geral as pessoas desentendem a dupla joão-joice. mesmo entre nossas amizades muita gente permanece ainda intrigada, mantém o cenho franzido, o que na verdade é algo que não chega a incomodar, ao contrário de certa forma nos diverte.

mas o que eu ia dizer é que o joão e eu temos uma amizade indizível e indelével, é um dos tesouros com que a vida me presenteou e que guardo com cuidado e gratidão. desde muito tempo e bem além da parceria no blog, o joão tem sido um amigo daqueles a quem se pode dizer tudo ou qualquer coisa, o que for. sem qualquer receio de julgamento. talvez por isso apenas hoje eu esteja verbalizando a respeito da despedida ou mesmo vendo agora as fotos. por um problema de saudade antecipada.

apesar disso, é claro, estou na torcida e querendo muito que esta mudança represente um presente e futuro cheios de coisas boas.

bb! qualquer dia vou aí te ver, vou levar na mochila erva boa (pro chimarrão, não se assanhe!) e um presente pra casa nova.. e cores e músicas, muitas, e tudo mais que eu for juntando por aqui e que tiver a tua cara.

Wednesday, May 02, 2007

uma história em uma frase / one sentence story


ele era tão tímido que precisou inventar um personagem para ser.

gosto muito de minicontos, histórias curtas, contos minimalistas ou seja lá o nome que se dê pra coisa. outro dia descobri um lugar, o one sentence - true stories, told in one sentence. para aqueles que não são lá muito familiarizados com o inglês, a idéia é contar uma história verdadeira utilizando apenas uma frase. o site tem histórias ótimas, dá até vontade de sair inventando historinhas de uma frase como a que escrevi acima. é no mínimo um bom exercício de objetividade, sobretudo para pessoas com tendências a uma certa (forte) prolixidade textual, como é o meu caso. qualquer hora trago de lá as minhas preferidas.

map of online communities





















via xkcd

Saturday, April 07, 2007









fui passar o feriado no 'campo'. agora ao ver as fotos, não pude deixar de ver nesta aí certa conexão com o arame farpado da postagem anterior.. sim, 'o inferno são os outros', mas os outros também são as fotos e o arame farpado (também) sou eu..
alguém empresta uma borboleta aí?

this photo is from yesterday - a holiday in the country. when i saw this picture this morning i could not help connecting it to the previous post image. yeah, 'hell is other people', but photos are also the other people and that barbed wire is (also) myself..
does anyone have a butterfly i can borrow for a while?

Monday, April 02, 2007

previsão para hoje: tempo bom















não que eu não goste dos dias ensolarados, implico mesmo é com uma espécie de sensação de obrigatoriedade em estar feliz nos dias de sol. mas é certo que alguma coisa em mim fica muito mais à vontade e sei lá...feliz? em dias nublados e chuvosos como hoje. aí lembrei desta tira do gaturro de sexta-feira e a trouxe para ilustrar a idéia. acho que ela de certa forma retrata bem a sensação.

mas, como alguém já disse antes, "não existe tempo ruim, mas sim vários tipos de tempo bom" - quem me disser de quem é essa frase ganha um prêmio, eu sinceramente não lembro.

Friday, March 02, 2007

miniconto - 31

São 18 horas. Abancado na cadeira de pedra do Aquário, tomo um café enquanto meu olhar perdido observa os que passam. Toda vez que sento aqui é a mesma coisa, como passa gente esquisita por esta calçada. Sempre tenho a impressão de que algumas pessoas existem apenas para passar por aqui, suas existências começam na rua XV e terminam junto com o fim desta calçada, na rua Sete, ou vice-versa. A mulher de camisa rosa-maravilha com gola e punhos brancos, calça jeans com costura retorcida, botas brancas e fita roxa nos cabelos. O velho baixote com o dedo enfiado no nariz e olhar de quem não quer saber. A criança que passa me olhando, sendo puxada pela mão firme e distraída da mãe que observa pessoas e vitrines. A moça toda arrumada e maquiada, nem ao menos um fio de cabelo fora de lugar, tão perfeita, tão feia, tão plástica. O vendedor de loterias com gestos e olhares iguais aos que fazia há trinta anos. A velha mendiga com uma lata enferrujada na mão, mastigando uma bagana amarelada no canto da boca, traz um saco cinza nas costas. O vendedor ajeita os cadernos do jornal de domingo que já estão chegando, mais um homem pergunta e ele responde, não, ainda não chegaram todos os cadernos, daqui a meia hora. Os carros fazem a curva devagar, alguns passam sérios com ar de concentração, talvez pressa, sem olhar, outros não se importam em ser vistos com os olhos dentro do Café, a buscar alguéns no balcão, nas mesas. Tudo isso é ilusão ou existe mesmo? Esta cidade, esta gente... aí volta aquela sensação de irrealidade que me invade sempre nesta parte do raciocínio, uma náusea a acompanha, dá vontade de gritar, socorro, alguém aqui sabe me dizer o que está acontecendo. Mas não, fico mudo, controlando o olhar, as mãos fazendo gestos automáticos, sem mais procurar respostas para estas e outras perguntas que já nem me faço. Tiro a carteira do bolso da calça, verifico a conta, sigo até o balcão. Junto com o dinheiro, entrego à moça do caixa todos estes pensamentos. Ela só me alcança o troco, sem me ver, os olhos já atendem outro cliente. Sigo vazio até a porta e quando a ultrapasso já não sou mais aquele do Café. Outros pensamentos, minha vidinha miúda outra vez. A conta do banco, a prova de história da arte, aquela menina que não telefona, o filme que saiu de cartaz antes que eu pudesse assistir, o livro que vou agora comprar ali na feira...

miniconto 31, de outubro de 2003. agora revisto e encurtado.