Showing posts with label poema. Show all posts
Showing posts with label poema. Show all posts

Tuesday, February 19, 2008

apartheid soneto



















poema visual de avelino de araújo

do poema/processo 1967
cheguei até lá por essa postagem do ulysses, na esquerda festiva

Wednesday, August 01, 2007

eu

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…

Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porque…

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo p’ra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca

Friday, July 27, 2007

dédalo

hoje (ontem) pela manhã a carolina, numa atitude já tão poética, veio aqui e deixou, nos comentários do blog, este presente. e logo hoje que acordei precisando tanto de um poema pra encarar melhor o dia. como você soube, carolina? :-)

dédalo

cavalo branco selvagem
aprisionado em invernadas
coloridas do coração
pesadelo furta sentimentos
da ânfora mágica
atira pétalas escarlates
na sensatez do tempo
efêmero momento de amor

josé geraldo neres

Saturday, July 14, 2007

viceversa

Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte.
o sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.

mario benedetti

Saturday, June 02, 2007

inesperado

ao comentar sobre o gosto por esperar pelo inesperado, carolina me lembrou deste outro poema que li outro dia. sim, segue meu encantamento com esta wislawa szymborska..

Encontro Inesperado

Nós nos tratamos com extrema cortesia,
dizemos: quanto tempo, que bom revê-lo.

Nossos tigres bebem leite.
Nossos falcões preferem o chão.
Nossos tubarões se afogam no mar.
Nossos lobos bocejam diante da jaula aberta.

Nossas cobras perderam seu lampejo,
nossos macacos, sua graça; nossos pavões, suas plumas.
Faz tempo que os morcegos deixaram nossos cabelos.

Caímos em silêncio no meio da conversa,
e não há sorriso que nos salve.
Nossos humanos
não sabem falar uns com os outros.

Saturday, May 26, 2007

por um acaso

















assim como o dveras, também me encantei com os ajuntamentos de palavras desta wislawa szymborska, poeta polonesa de nome impronunciável (pra mim) e ganhadora do nobel de literatura de 1996, cujas obras foram publicadas na revista piauí deste mês.
taí uma palhinha do motivo de tanto encantamento. olha só:

POR UM ACASO

Poderia ter acontecido.
Teve que acontecer.
Aconteceu antes. Depois. Mais perto. Mais longe.
Aconteceu, mas não com você.

Você foi salvo pois foi o primeiro.
Você foi salvo pois foi o último.
Porque estava sozinho. Com outros. Na direita. Na esquerda.
Porque chovia. Por causa da sombra.
Por causa do sol.

Você teve sorte, havia uma floresta.
Você teve sorte, não havia árvores.
Você teve sorte, um trilho, um gancho, uma trave, um freio,
um batente, uma curva, um milímetro, um instante.
Você teve sorte, o camelo passou pelo olho da agulha.

Em conseqüência, porque, no entanto, porém.
O que teria acontecido se uma mão, um pé,
a um passo, por um fio
de uma coincidência.

Então você está aí? A salvo, por enquanto, das tormentas em curso?
Um só buraco na rede e você escapou?
Fiquei mudo de surpresa.
Escuta,
como seu coração dispara em mim.


ilustração via militantplatypus, via 100 Volando, que conheci via adivinha quem?

Thursday, May 17, 2007

de vez em quando

já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
paulo leminski


Thursday, May 03, 2007

as fronteiras foram riscadas no mapa













As fronteiras foram riscadas no mapa,
a Terra não sabe disso:
são para ela tão inexistentes
como esses meridianos com que os velhos sábios a recortavam
como se fosse um melão.
É verdade que vem sentindo há muito uns pruridos,
uma leve comichão que às vezes se agrava:
ela não sabe que são os homens...
Ela não sabe que são os homens com as suas guerras
e outros meios de comunicação.
mario quintana

via IF, que conheci através dos itens compartilhados
pelo saff do um dia a menos.

viu só? às vezes a pessoa precisa ir longe para conhecer poesia de perto.

a ilustração é uma imagem de satélite - baía de mahajanga, madagascar.