Friday, July 27, 2007

dédalo

hoje (ontem) pela manhã a carolina, numa atitude já tão poética, veio aqui e deixou, nos comentários do blog, este presente. e logo hoje que acordei precisando tanto de um poema pra encarar melhor o dia. como você soube, carolina? :-)

dédalo

cavalo branco selvagem
aprisionado em invernadas
coloridas do coração
pesadelo furta sentimentos
da ânfora mágica
atira pétalas escarlates
na sensatez do tempo
efêmero momento de amor

josé geraldo neres

chegadas e partidas


















ontem foi dia de aniversário importante de novo, três anos do pedro, meu sobrilhado (sobrinho+afilhado). acontece que ontem não tive ânimo nem cabeça pra escrever nada, e confesso que ainda hoje está difícil. esta semana perdi um amigo querido, alguém que deixa saudade e por mais que não se queira ser materialista, é uma ausência muito muito difícil de aceitar. primeiro ele era apenas meu dentista, depois veio uma amizade tão boa e leve.

o zilmar simplesmente revolucionou em minha vida o conceito de 'ir ao dentista'. sempre nos divertíamos tanto, ele era pessoa fantástica. sempre me sacaneando e dizendo uma bobagem ou outra. teria muitas histórias do zilmar pra contar e, é claro, agora por esses dias ando revivendo mentalmente algumas delas, sobretudo as que se referem a práticas reiteradas dele como, ao final da consulta, mesmo tendo outro paciente pra atender, ele perguntava assim.. tá com pressa? tens compromisso agora? é coisa rápida, espera na salinha pra gente papear e fumar um cigarro juntos. teve um dia, na tal salinha, em que ele contou uma piada, a carol, filha dele (outra figuraça!) contou outra. aí ele virou pra mim.. agora é tu e não vem dizer que tu não sabe nenhuma. só que a piada que eu queria contar não era das mais 'de salão'. eu falei, bom depois não diz que não avisei. até hoje lembro a cara dele, ficou vermelho e nunca mais parava de rir.. depois a carol disse que ele saiu contando pra todo mundo, contou inclusive pra minha mãe em uma das consultas dela.

outra divertida marca registrada dele, de quando estava naqueles dias de sacanear os pacientes direto. imagina, a pessoa tá ali naquela situação, confiando no conhecimento técnico e científico do cara e ele vem com essa.. já de luvas, óculos e máscara cirúrgica, com algum daqueles objetos odontológicos horripilantes em punho, ele, bem sério, se aproximava da vítima, arregalava os olhos e dizia em tom muito grave: oremos..!

teve também um dia que tive um problema lá e receitou um antiinflamatório. aí eu falei que já estava tomando um remédio deste tipo em função de algum outro problema qualquer, nem lembro agora qual. ele, com toda a calma e seriedade do mundo, disse algo assim: ah então vem cá, deixa eu te explicar como é que faz neste caso: quando fores tomar o remédio, coloca junto um bilhetinho escrito assim: é para o dente também!!

pois é. não é à toa que fica tão difícil imaginar a vida sem esse cara. o bom é pensar que onde quer que ele esteja, certamente já está divertindo gentes e, é claro, sacaneando todo mundo.

mas comecei a escrever isso na verdade pra falar de outras coisas, era pra contar alguma coisa do pedro, outra pessoinha fantástica que ao longo dos últimos três anos vem também desenhando divertidamente sua história. no entanto, acho que tudo bem misturar tudo. até porque ando mesmo sentindo tudo isso misturadamente por estes dias.


















pedro mora no mato grosso. a foto ali de cima é de agora, de alguns dias antes do aniversário, esta outra aqui é do verão passado e tirei enquanto brincávamos numa praça. para comemorar o dia do pedro, pensei em contar aqui uma das muitas histórias que ele já originou e escolhi esta por ter sido, ao menos para mim, tão significativa e que, de certa forma, fala sobre o jeitinho dele de me ver e, por isso mesmo, acabou me levando, também, a alguns questionamentos importantes.

foi um dia em que pedro e eu brincávamos no meu quarto. o pedro sempre se impressionou muito ao chegar aqui em casa, supostamente uma casa de pessoa adulta, e encontrar ambientes com coisas tão 'brincáveis'. e também, por meu jeito de lidar com ele com certa espontaneidade, sem muita afetação de tia-dinda. aí neste dia estávamos aqui sentados no chão, não lembro se desenhando e pintando ou brincando com o 'tesouro' que preparei pra ele. depois de um tempo ele vai e pergunta assim: joice, você é grande ou você é criança? e este foi sem dúvida o melhor elogio que já recebi na vida. valeu, pedro. espero não desapontá-lo (muito) nem como uma coisa nem como outra.

Tuesday, July 24, 2007

dose dupla














laerte

mídia brasilis e o massacre pan-tam

coisas da idade mídia:
pan! no povo brasileiro. e tam! no governo Lula.
o tempo todo.
mídia golpista de uma nota só: zero.

vaias ao pan, do blog do mino:

Assola-me a cobertura do Pan. É maçada sem tamanho. Implacável, diuturna, clangorosa. Badalação insuportável destinada a excitar os recalques nativos em proveito de um ufanismo medíocre, e a celebrar as vaidades e a ganância dos organizadores e aproveitadores. Não é que o esforço se dê em vão. Haja vista o comportamento das assistências, a começar pelas vaias ao presidente da República. Em que país haveria uma manifestação como aquela, a não ser no Brasil de Galvão Bueno? E as vaias e as agressões a adversários e juízes que tomam decisões desfavoráveis aos atletas canarinhos? Espetáculo de escassa esportividade, que a mídia cuida de não registrar. Neste momento, todas as emoções concentram-se na esperança de um segundo lugar na classificação por medalhas. Trata-se de superar Cuba, e a diferença entre as duas representações encolhe. A população de Cuba é quarenta vezes menos que a do Brasil.

Sunday, July 22, 2007

um

estava ali na beira da praia.
brincando, construía um castelinho.
mas aí veio a onda....
e o castelinho ficou pronto.
acabou-se a brincadeira.
talvez demore um pouco
até começar a construir outro.
mas já arrumei um prazo.
vou contar até um.
um.

tenho sede, segue o seco.

ao procurar um video com a música tenho sede, do gilberto gil, acabei encontrando esta maravilha aí.
é a introdução da música que eu procurava, emendando em outra que gosto demais: segue o seco, do arnaldo antunes. e tudo isso com a bela performance ao vivo da marisa monte, agora no início deste mês.

biblioteca













- terminei o harry potter, e agora não há nada pra ler...

cartoon by jimmy margulies

feliz 31!








mas ontem foi dia especial. como estava meio fora da área, hoje volto até ontem pra dizer que é dia de festa, dia de dança e alegria. é aniversário da marcinha, minha irmã querida. márcia é pessoa linda. linda de todos os jeitos. ela tem um sorriso belo e terno e amigo. é toda carinhosa e prestativa e preocupada com tudo e com todos. sempre ocupadíssima, sempre tão ligada que às vezes esquece muito de si mesma. aí quando lembra, tem vez em que nem se acha mais e precisa que alguém lhe diga. aí ela me liga lá do mato grosso e pergunta.. eu falo, falo, ela acredita em quase tudo e sai mais alegrinha, dizendo.. ah, eu sou a márcia, irmã da joice!

somos tão parecidas e tão desparecidas ao mesmo tempo. estranhávamos quando pessoas nos confundiam uma com a outra, hoje rimos muito ao nos surpreendermos confundindo nós mesmas as fotos de agora. algumas coisas não mudam, outras mudam sempre e muito. teve tempo em que brigávamos loucamente, não nos suportávamos, naquela época nossas diferenças eram insuperáveis. a márcia sempre toda certinha, sempre em dia com todos os protocolos sociais. eu, o caos. aí um dia descobrimos que nem o jeito dela era o certo e nem o meu, foi quando percebemos que o bom mesmo seria nos misturarmos um pouco e fomos aprendendo que contemplar e admirar nossas diferenças talvez nem fosse tão ruim assim, seria um caminho, não só o caminho possível para nossa aproximação, mas também no sentido de buscarmos uma na outra um pouco daquilo que nos faltava individualmente. e não deu outra. ao nos tornarmos amigas, nos tornamos também pessoas melhores, eu acho.
meu beijo, meu abraço e todo meu amor pra ti, irmã querida. saudade grande, sempre.

inferno astral coletivo



















a semana que passou foi, pra mim e sei que pra muita gente também, uma das mais f*didas dos últimos tempos. acontecimentos ruins, aborrecimentos de todo tipo. notícias tristes e terríveis, muito. um troço meio com jeito de inferno astral coletivo.
como diz o paulo.. que maré!
alguém viu a sandra por aí?

Tuesday, July 17, 2007

é só praticar.








karmo, via diário gauche

trecho dois

tenho que escolher o que detesto - ou o sonho, que a minha inteligência odeia, ou a acção, que a minha sensibilidade repugna; ou a ação, para que não nasci, ou o sonho, para que ninguém nasceu.
resulta que, como detesto ambos, não escolho nenhum; mas, como hei-de, em certa ocasião, ou sonhar ou agir, misturo uma coisa com outra.

bernardo soares, no livro do desassossego.

Monday, July 16, 2007

um muro, uma palavra






















"israel tem o direito de existir, é claro. mas não no país dos outros."

"não leio nenhum jornal que utilize a palavra terrorismo. utilizar esta palavra é o mesmo que dizer: tenha medo."

robert fisk, no programa roda viva.

Sunday, July 15, 2007

vaia de golpista não vale

vídeo do ensaio da cerimônia de abertura dos jogos que já incluia também o ensaio da vaia para o presidente Lula no maracanã.

como a mãe e a tia estavam por aqui na sexta à noite, e a Doris (mãe) é torcedora número um de todos atletas brasileiros até em campeonato de cuspe à distância, vi com elas uns pedaços da in-famosa cerimônia.

vieram as tais vaias ao Lula. apesar de obviamente ter achado uma tremenda filhadaputice, nem me surpreendeu tanto. pensei, tá vamos ver o que acontece com as próximas autoridades.. foi quando o césar maia foi aplaudido! pensei: hmmmm...aí tem coisa.

a Leila, minha tia, que além de militante de esquerda das antigas, sabida socióloga formada pela ufrgs em 1967, ainda é a comunista mais comunista que conheço, lascou direto: isso é golpe! isso é golpe! tu não tá vendo que essa vaia foi claque?? lembra do riocentro??? se fizeram aquilo do riocentro, é claro que armam uma dessas, fazem qualquer coisa... fiquei com cara de não sei, será? e tal. na real não quis acreditar, adotei uma postura meio besta de deixa disso, ao mesmo tempo que fiquei com aquele elefante atrás da orelha. só que agora tá tudo aí.. vindo à tona, bem do jeito que Leila vaticinava já na noite de sexta.

fico pensando..e se ao menos metade do que está aparecendo por aí for verdade..? será que em breve assistiremos uma cpi do pan? e quem mais vai aparecer, abrir o bico e contar essa história? alô, ministério públicooo.. por falar nisso, cadê o Franklin Martins, hein?!

para ver mais repercussões na blogosfera, vai no blogoleone, no diário gauche, esquerda festiva, rs urgente, entrelinhas, república vermelha, cidadania.com, vi o mundo...

Saturday, July 14, 2007

viceversa

Tengo miedo de verte
necesidad de verte
esperanza de verte
desazones de verte.
Tengo ganas de hallarte
preocupación de hallarte
certidumbre de hallarte
pobres dudas de hallarte.
Tengo urgencia de oírte
alegría de oírte
buena suerte de oírte
y temores de oírte.
o sea,
resumiendo
estoy jodido
y radiante
quizá más lo primero
que lo segundo
y también
viceversa.

mario benedetti

maravilha















via dveras em rede

Friday, July 13, 2007

por falar em números, os arábicos...

ou muito me engano..

...ou schopenhauer diz que preciso ler menos. e pensar mais.
já o joão acha que penso muito.
para wittgenstein, pensar tudo bem,
se for em silêncio.
na suíça alguém achava que o gosto pela política atrapalhava minha poesia (sic)
e, ainda que considerasse meu gosto por estar só
sinal bom e positivo, fundamental a essa coisa da mania de escrever,
via em mim uma anarquista pragmática, coisa que supostamente
pouco a pouco condenaria qualquer pretensão literária a definhar...
- será?
será por isso que só há seriedade quando escrevo por outros?
pode ser. não sei.
então estou e fico aqui
neste ponto

.


ouvindo cake.
..enquanto estudo cálculos de probabilidades.
por incrível que possa parecer, é divertido!
um velho hábito. um exercício a que recorro.
um recurso utilizado enquanto exercício de objetividade,
ou de fuga. desta coisa de ter a subjetividade como traço tão constante
e definidor de personalidade.
como queira.

p.s: pois é, tô sem trabalho de novo. e isso só tem um dia! cabeça vazia é casa do diabo mesmo.. bora voltar aos números, às tintas. e ao L. do D., afinal alimentar-se é preciso..

do fazer literário








numa postagem meio metalingüística, uma tirinha do laerte, do arquivo de 2004.