lá no blog ração (razão) das letras, o halem publicou duas resenhas imperdíveis de duas obras do aldous huxley: contraponto e admirável mundo novo. segue aí uma palhinha. mais abaixo estão os links para os textos.
"Contraponto está saturado de gente que enriqueceu sem nenhum esforço, herdeiros quase em sua totalidade, mesmo na sempre industriosa Inglaterra. Poucas são as exceções. Uma delas é o biólogo Frank Illidge, partidário do comunismo-leninismo e que a despeito de seu apego ingênuo a uma ideologia também opressora, expõe pontos de vista acres e que, curiosamente, coincidem com os meus. Em determinado momento ele é descrito "como cidadão dotado de consciência de classe, [e por isso] tinha de admitir que a ciência pura, como o bom gosto e o tédio, a perversidade e o amor platônico, é um produto da riqueza e do ócio." Mais à frente, tal ponto de vista é retomado, agora expresso pela própria personagem:
"Esses burgueses vivem a condecorar-se mutuamente por serem tão desinteressados - isto é: por terem bastante para viver sem serem forçados a trabalhar e sem se preocuparem com dinheiro. Depois outra condecoração por poderem permitir-se o luxo de recusar gorjetas. E mais uma por terem dinheiro bastante para comprar todo o aparato da cultura refinada. E ainda outra por terem tempo de consagrar-se à arte, à leitura, à galanteria complicada e prolongada. Por que não têm eles a franqueza de dizer abertamente o que estão constantemente dando a entender - isto é: que a raiz de todas as suas virtudes é um bom emprego de capital, bem seguro, a 5 por cento?"
Illidge, entretanto, teve que botar à prova suas convicções, de uma maneira terrível, e acabou revelando-se tão suscetível quanto os "burgueses" que criticava... Mas há ainda outras personagens das quais não podemos esquecer."
"Contraponto está saturado de gente que enriqueceu sem nenhum esforço, herdeiros quase em sua totalidade, mesmo na sempre industriosa Inglaterra. Poucas são as exceções. Uma delas é o biólogo Frank Illidge, partidário do comunismo-leninismo e que a despeito de seu apego ingênuo a uma ideologia também opressora, expõe pontos de vista acres e que, curiosamente, coincidem com os meus. Em determinado momento ele é descrito "como cidadão dotado de consciência de classe, [e por isso] tinha de admitir que a ciência pura, como o bom gosto e o tédio, a perversidade e o amor platônico, é um produto da riqueza e do ócio." Mais à frente, tal ponto de vista é retomado, agora expresso pela própria personagem:
"Esses burgueses vivem a condecorar-se mutuamente por serem tão desinteressados - isto é: por terem bastante para viver sem serem forçados a trabalhar e sem se preocuparem com dinheiro. Depois outra condecoração por poderem permitir-se o luxo de recusar gorjetas. E mais uma por terem dinheiro bastante para comprar todo o aparato da cultura refinada. E ainda outra por terem tempo de consagrar-se à arte, à leitura, à galanteria complicada e prolongada. Por que não têm eles a franqueza de dizer abertamente o que estão constantemente dando a entender - isto é: que a raiz de todas as suas virtudes é um bom emprego de capital, bem seguro, a 5 por cento?"
Illidge, entretanto, teve que botar à prova suas convicções, de uma maneira terrível, e acabou revelando-se tão suscetível quanto os "burgueses" que criticava... Mas há ainda outras personagens das quais não podemos esquecer."
(continua)
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