Sunday, February 28, 2010

manifesto de apoio a denise bottmann

rompendo o silêncio para manifestar o meu apoio a denise bottmann, tradutora e editora do blog não gosto de plágio, que está sendo processada pela editora landmark que busca, além de indenizações, a remoção do nãogosto da internet.

vale lembrar que, ao denunciar os plágios, a denise apresenta um trabalho sério e criterioso. os tradutores jorio dauster, heloisa jahn, ivo barroso e ivone benedetti publicaram um manifesto em defesa da denise. a luta dela é uma luta em nome do respeito ao leitor, da tradução e de todos nós tradutores. para dar aderir ao manifesto, há o abaixo-assinado online. já assinei e assinarei quantas vezes for preciso.

o manifesto na íntegra:

Manifesto de apoio a Denise Bottmann

Causou comoção entre todos os profissionais ligados aos meios editoriais do País a notícia de mais um processo movido contra a tradutora Denise Bottmann, em decorrência de denúncias de plágio de tradução, por ela veiculadas em seu blogue Não Gosto de Plágio.

Diante do número de plágios desmascarados ao longo dos últimos anos por essa incansável profissional, ficou claro que a extensão de tal delito é muito maior do que qualquer um poderia imaginar quando das primeiras descobertas. Desta vez o processo é movido pela Editora Landmark, que apresentou em juízo as seguintes pretensões: vultosa indenização por pretensos danos morais e materiais; publicidade restrita (ou seja, andamento do processo sob sigilo de justiça); remoção do blogue Não Gosto de Plágio da internet, invocando o “direito de esquecimento”; antecipação dos efeitos da tutela de mérito (ou seja, determinação da remoção imediata do blog antes do exame do mérito da ação impetrada).

O fato é que, em pouco tempo, o referido blogue se tornou amplamente conhecido e converteu-se num ponto de referência certamente incômodo para os que, até seu advento, não eram molestados no tranquilo afã de copiar traduções esgotadas e lançá-las no mercado com nomes reais ou fictícios, nem de longe assemelhados aos dos verdadeiros tradutores. Assim, considerando a necessidade de que essas denúncias não só tenham prosseguimento, mas também se ampliem e aperfeiçoem, nós, abaixo assinados, nos mobilizamos a favor do desmascaramento de uma prática que:

1. fere a Lei de Direitos Autorais, que considera o tradutor como autor de obra derivada e salvaguarda seus direitos morais e patrimoniais;

2. configura concorrência desleal, pois as editoras de má-fé, não arcando com os custos dos direitos de tradução ou não pagando por uma retradução, põem em desvantagem as editoras que, pautando-se pela idoneidade, assumem tais custos;

3. atenta contra nosso patrimônio cultural, ao disseminar a cópia fraudulenta de obras muitas vezes assinadas originalmente por nomes reconhecidos e estimados de nossa literatura.

Pelos motivos acima, confiando que a justiça realmente será feita, publicamos esta manifestação de apoio aos esforços de Denise Bottmann, conclamando à adesão todas as pessoas interessadas no combate à prática delituosa do plágio e no enriquecimento das interações culturais neste país.

Heloisa Jahn
Jorio Dauster
Ivo Barroso
Ivone C Benedetti

IMPORTANTE: Se você quiser aderir a este manifesto, saiba que temos um abaixo-assinado em:

http://www.petitiononline.com/Bottmann/petition.html

Vá até lá e junte-se a nós!

Tuesday, May 19, 2009

rs novo urgente

http://www.rsurgente.org/

vi no animot que o blog rs urgente mudou para o ops!
adorei! aliás, sempre achei que tanto o animot do césar schirmer quanto o rs urgente do marco weissheimer deviam ir morar no ops!

Sunday, April 26, 2009

que livro você é?

conforme sugerido pelo pablo, antes de fazer o teste fiquei tentando imaginar qual seria o resultado. pensei, hmmm, se isso funciona, vai ser qualquer coisa clariceana. e não deu outra:

"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector

Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.

em outras palavras, posso até ser uma baita chata, mas sou uma chata consciente e assumida :P

se também ficou curioso pra saber que livro você é, faça o teste.

Thursday, April 16, 2009

Das ist toll: academic earth

academic earth - thousands of video lectures from the world's top scholars.

"O Academic Earth é uma espécie de YouTube acadêmico que reúne vídeos de aulas de universidades como Harvard, Yale, MIT, Princeton, Stanford e Brown, em um site bem desenhado e fácil de navegar. Destaque: as aulas podem ser assistidas no site ou baixadas para o computador e colocadas em um aparelho portátil como um iPod."
(Carta Capital 15/4/09, p 53, Internotas)

Thursday, January 15, 2009

Monday, January 12, 2009

boaventura: requiém para israel?

"Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada. O artigo é de Boaventura Sousa Santos".

para ler tudo: agência carta maior

Saturday, January 03, 2009

still standing


...
if the sky that we look upon
should tumble and fall
or the mountain
should crumble to the sea
i won't cry, i won't cry
no, i won't shed a tear
just as long as you stand

video: playing for change through music

Tuesday, October 14, 2008

Thursday, October 02, 2008

eita povo mais maluco!

"A Federação Nacional de Cegos (NFB), a maior organização de cegos dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira mobilizações contra o filme Ensaio sobre a Cegueira em sua estréia por considerar que retrata os portadores de deficiência visual como depravados."
do terra, cinema & dvd

sei lá. é tamanho o desentendimento em relação ao que seja a história imaginada por José Saramago que ler algo assim chega a ser engraçado.

Thursday, September 11, 2008

textos não dão em árvores







já conhece o assinado: tradutores?

tudo começou com a mobilização, em dezembro de 2007, de um grande número de tradutores que rapidamente aderiram a um abaixo-assinado de repúdio aos casos suspeitos e comprovados de plágios de traduções por parte de algumas editoras. o que essas editoras fizeram foi basicamente (re)editar obras já traduzidas e publicadas como publicações novas com novas traduções, só que assinadas por tradutores inventados. foi a partir dessa movimentação toda que surgiu o assinado: tradutores para divulgar esse debate e buscar novas adesões.

além disso, o blog é também parte de uma mobilização pelo reconhecimento dos tradutores e da tradução, e vem conseguindo excelentes resultados junto às editoras, livrarias, universidades e publicações jornalísticas.

a imagem acima é o logotipo do http://www.yourauthor.org/

Monday, September 08, 2008

heavy dreamer


















aliedo, no sempre imperdível diário gauche.

ímpetu









liniers

Sunday, August 10, 2008

partida

















brida, frida, ou simplesmente madalena
10.5.1995 - 7.8.2008

e não dá pra dizer mais nada.

Friday, June 20, 2008

tirando o pó ou... do caráter acidental do destino















"(...) caminhava e compreendia algo que antes só havia entendido em suas leituras da tragédia grega clássica: como é fácil a vida virar para um lado em vez de virar para o outro, como é acidental o destino de uma pessoa... em contrapartida, como o destino pode parecer acidental quando as coisas não podem deixar de ser o que são. Ou seja, Coleman caminhava sem compreender nada, sabendo que não conseguiria compreender nada, ainda que imbuído da ilusão de que teria compreendido metafisicamente alguma coisa muitíssimo importante a respeito da sua teimosa decisão de determinar o seu próprio destino se... se fosse possível compreender essas coisas."

do narrador d'a marca humana -- página 164, companhia das letras, 2007, tradução do paulo henriques britto -- sobre coleman silk, personagem do livro fascinante do philip roth. há poucos meses li o animal agonizante, também traduzido pelo paulo henriques britto, e foi aí que comecei a conhecer esse autor que já se tornou o meu mais novo escritor preferido. na listinha das próximas leituras estão: homem comum e fantasma sai de cena.

Saturday, June 07, 2008

é hoje, daqui a pouco...























...festa da helô com desfile anos '5o do brechó abracadabra.

arte do pessoal da nativu design: o emerson, meu amigo e agora também companheiro de fisioterapia e o valdér, que eu já conhecia e agora conheci de novo :)

Sunday, May 25, 2008

blindness, emoção sólida

o pablo vilela do cadê o revisor? postou lá esse vídeo aí e disse assim: duvido você não engasgar.
pois é, eu também.

no vídeo, josé saramago e fernando meirelles logo após assistirem à estréia do filme, em lisboa.
também vale a pena ler o comentário do fernando meirelles sobre esse momento, publicado na folha de sp, disponível no blog do tas.
um pedacinho:

emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca.
fernando meirelles


Sunday, April 27, 2008

a respirada









boa semana aí!

a tira é do blog do rafael sica

Wednesday, April 23, 2008

Saturday, March 08, 2008

é mais ou menos isso















A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas equilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas e aéreas piruetas -- escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio.

E se eu digo "eu" é porque não ouso dizer "tu", ou "nós" ou "uma pessoa". Sou obrigada à humildade de me personalizar me apequenando mas sou o és-tu.

Sim, quero a palavra última que também é tão primeira que já se confunde com a parte intangível do real. Ainda tenho medo de me afastar da lógica porque caio no instintivo e no direto, e no futuro: a invenção do hoje é o meu único meio de instaurar o futuro. Desde já é futuro, e qualquer hora é hora marcada. Que mal porém tem eu me afastar da lógica? Estou lidando com a matéria-prima. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, gênero não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo.

(...)

Quero escrever-te como quem aprende. Fotografo cada instante. Aprofundo as palavras como se pintasse, mais do que um objeto, a sua sombra. Não quero perguntar por quê, pode-se perguntar sempre por quê e sempre continuar sem resposta: será que consigo me entregar ao expectante silêncio que se segue a uma pergunta sem resposta? Embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim.

E depois saberei como pintar e escrever, depois da estranha mas íntima resposta. Ouve-me, ouve o silêncio. O que te falo nunca é o que te falo, e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão. Um instante me leva insensivelmente a outro e o tema atemático vai se desenrolando sem plano mas geométrico como as figuras sucessivas num caleidoscópio.

Entro lentamente na minha dádiva a mim mesma, esplendor dilacerado pelo cantar último que parece ser o primeiro. Entro lentamente na escrita assim como já entrei na pintura. É um mundo emaranhado de cipós, sílabas, madressilvas, cores e palavras -- limiar de entrada de ancestral caverna que é o útero do mundo e dele vou nascer.

clarice lispector in "água viva", círculo do livro, 1973.

hoje!























arte: nativu design

Tuesday, February 19, 2008

das boas

He had that rare weird electricity about him - that extremely wild and heavy presence that you only see in a person who has abandoned all hope of ever behaving "normally".
- Hunter Stockton Thompson

mais

por falar em música, outro dia comentava com o saliel sobre certa tendência a subestimar o gosto das pessoas pela música clássica. talvez isso aconteça pelo fato das pessoas que gravitam na órbita do meu planeta, de um modo geral, considerarem até bacana, mas após uma música ou duas já vão achando meio sacal e tal. porém, já que pessoas se manifestaram, aí vai mais uma dica. radio swiss classic. além da programação ser deliciosa e bastante diversificada dentro do gênero, o site da rádio ainda fornece toda a programação detalhada, com informações sobre compositores, intérpretes, concertos, versões, cds, incluindo opção para compra, é claro.
divirta-se! : )

apartheid soneto



















poema visual de avelino de araújo

do poema/processo 1967
cheguei até lá por essa postagem do ulysses, na esquerda festiva

Monday, February 11, 2008

schopenhauer







a inexprimível profundidade da música, tão fácil de entender e no entanto tão inexplicável, deve-se ao fato de que ela reproduz todas as emoções do mais íntimo do nosso ser, mas sem a realidade e distante da dor. [...] A música expressa apenas a quintessência da vida e dos eventos, nunca a vida e os eventos em si.

via p.q.p. bach - que, aliás, é uma ótima dica para quem gosta de música boa.


Monday, February 04, 2008

some devil

some devil some angel
has got me to the bones
you said always and forever
now I believe you baby
you said always and forever
is such a long and lonely time


lyrics, the whole thing: some devil, dave matthews

Monday, January 28, 2008

as cobras








luis fernando verissimo

lindamente

do ração (razão) das letras:

(...)
E, conclui lindamente:

"Cada leitor procura algo no poema. E não é insólito que o encontre: já o trazia dentro de si."

halem, citando octávio paz.

lfv, a entrevista








à exceção de algumas perguntas bastante infelizes quase no estilão "qual a sua cor preferida?", está uma delícia a entrevista do luis fernando veríssimo para a revista caros amigos. futebol, política, esquerda, literatura e fazer literário são os temas que marcam a entrevista feita por e-mail, uma vez que lfv é sabidamente pessoa pouco dada a falatórios e rodas jornalísticas. como resultado disso, a entrevista é especial, tem a leveza e o toque de espontaneidade e humor de qualquer texto do lfv, só que elaborado a partir de questionamentos. o site da revista traz um fragmento da entrevista. aí abaixo, mais alguns:

você compartilha da opinião quase unânime de que o presidente Lula é analfabeto e precisa ler?

- olha, com algumas exceções, como o Costa e Silva, que confundia latrocínio com laticínio, fomos sempre governados por homens letrados, muitos deles intelectuais de nome, que conseguiram construir o país mais desigual e injusto do mundo sem cometer um erro de concordância.

(...) o que te deixa encolerizado?
- qualquer forma de hipocrisia, qualquer forma de prepotência e injustiça, qualquer derrota do Internacional.

outros fragmentos:

- um dos meus escritores favoritos é o inglês Evelyn Waugh, que era um esnobe, um reacionário e um carolão, mas tinha a melhor prosa da sua época, o que para mim desculpava tudo. Borges é outro exemplo. se não fosse um conservador, não seria o Borges e perderia a graça.

- a causa pela qual vale a pena lutar é uma idéia de sociedade (...), uma idéia de comunidade e justiça compartilhadas, acima das ambições individuais e da moral do mercado.

- (...) você não precisa simpatizar com o Lula para apreciar que o ódio que ele desperta em parte do nosso patriciado é um bom sinal, de que a novidade está tendo efeito e certos pressupostos antigos sobre quem tem direito ao poder no Brasil já não valem.

- (...) o governo Lula, a mesma coisa, só que nesse caso a gente tende a ser mais a favor do que contra para não engrossar o coro dos reacionários, que já é suficientemente grosso. esse tal de novo populismo na américa do sul é importante menos pelo que é do que pela sua origem, o fracasso de políticas públicas neoliberais recentes em cima de todos os anos de descaso social das elites do continente, que agora têm que enfrentar os Chavez e os Morales e outros monstros que criou. o novo populismo, ou como quer que se chame isso, também tem seu lado animador e seu lado discutível, além do seu lado precário. já a esquerda brasileira continua como sempre foi, dividida.

- a economia, pelo que eu leio e ouço, vai melhor agora do que ia sob um governo abertamente neoliberal, o que leva a concluir que o PT pelo menos está sendo eficiente na sua incoerência. (...)

- esse negócio de que eu falo pouco é um mito, os outros é que falam muito.

Tuesday, January 08, 2008

falco



















alex falco, do juventud rebelde - diario de la juventud cubana

lost in translation

estou no olho do furacão. é o que respondo, se me perguntam. é a melhor expressão para definir meu momento. estou concluindo a tradução do vigésimo quarto dos trinta capítulos de um livrão. faltam agora pouco mais de 140 páginas e meu prazo é final de janeiro...(!) depois ainda preciso revisar tudo a partir do décimo primeiro capítulo. taí uma coisa que aprendi ao longo deste extenso trabalho, nunca mais deixar tanta coisa para revisar no final. por um lado, é bom, pois a partir de uma leitura posterior, já com algum distanciamento do texto, eliminam-se mais facilmente aqueles vícios das inúmeras leituras. on the other hand, é trabalhoso pra caramba! em função da necessidade de ganhar dinheiro e mostrar trabalho para a editora, é preciso seguir em frente com o texto, sem empacar muito naqueles trechos cabeludos para os quais a consulta a quatro ou cinco dicionários, mais algumas buscas no gúgo, não tenham resultado em uma solução satisfatória. daí a criatura vai deixando duas ou três soluções para um mesmo trecho, ou apenas grifos, que antes faziam todo o sentido do mundo, mas depois complica bastante na hora de retomar todo aquele contexto. por isso é tão importante, ao menos na minha experiência e para o meu jeito de trabalhar, e sobretudo no caso de um livro assim tão extenso, já na elaboração do glossário de tradução, a elaboração também de uma espécie de código de possibilidades, indicações ou qualquer coisa assim. elaborei uma codificação atrasada e bastante improvisada que até ajuda, mas precisa e pode melhorar. isso, aliás, é uma das coisas que mais me fascinam na tradução. a possibilidade de aprender e inventar sempre, sempre, o tempo todo. uma coisa ou outra. de um jeito ou de outro. 2008, até aqui, segue a vidinha. para compensar, depois, em fevereiro... tem que ter mais que carnaval. será?

boa semana aí!

Monday, January 07, 2008

Monday, December 31, 2007

feliz ano velho, feliz ano novo!









2007, é o fim. foram tantas as coisas boas que me aconteceram este ano, e são muitas para enumerar aqui, que, apesar das coisas ruins e tristes que sempre rondam e acontecem, não posso falar do 2007 a não ser com boa dose de gratidão. foi ano de retorno a um lugar perdido, não-imaginado, um lugar que nem existe, mas que se inventa, reinventa um caminho, ponto de partida. e estou pronta. foi ano de chegadas e partidas, de surpresas boas, de encontros e desencontros. de aprender errando, e quem sabe acertar errando também. enfim, o que (se) foi, é (s)ido*. e o ano que chega, é sem grandes planos. resoluções, sim. resolvi que vou tomar várias, todas bem geladas... depois disso, é como falou o paulo lima, 2008 é o que vier. então que venha. e venha logo. feliz próximos 366 dias!

*arnaldo antunes in "as coisas" ed. iluminuras 1993.

ano novo da helô






















boa festa!

Monday, December 24, 2007

quem conta um conto...

a expressão contos de natal ou qualquer coisa muito natalina sempre me passa uma impressão terrível de algo aborrecido, enfadonho, apelativo, choramingante, etc. mas quando a história é boa e a habilidade do sujeito ao narrá-la pega o leitor, não há tema suficientemente aborrecido. esse conto de natal do mário de andrade é delicioso e divertido, ao menos pra mim que tive também pai desmancha-prazeres. aliás, como ele diz no conto, o puro-sangue dos desmancha-prazeres! só meu pai não era do mesmo tipo, mas enfim, não importa. desmancha-prazeres é um bicho que causa efeitos semelhantíssimos. o conto traz imagens de sentimentos e cenas familiares de eventos em família que são divertidas e escritas genialmente. vale a pena ler todo aqui. abaixo, algumas saborosas pinceladas. ah, a dica foi do sérgio rodrigues, do todoprosa.


Morreu meu pai, sentimos muito, etc.

A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.

E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando.

Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.

Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político.

Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar.

ho ho ho uma ova!


















feliz natal :P

que a festa aí tenha mais felicidade maiúscula* do que quinquilharias!

* mário de andrade

Saturday, December 15, 2007

Friday, December 14, 2007

el pegue

pedro e a pipa



















ok, a qualidade da foto não é lá essas coisas, longe disso. mas, enfim, é o pedro :-)

isso foi agora no final de outubro, quando fui pra mato grosso matar um pedaço de algumas de minhas muitas saudades. a boa é que o pedro, o moço feliz aí da foto, chega daqui a pouco... e fica até o final de janeiro. por isso tô aqui, de folga, feliz e falante, ouvindo a camaronesa kaïssa enquanto ajeito a casa pra chegada do moço.

outra coisa boa como saldo de minha ida a barra do bugres é que ajudei minha irmã a começar o blog dela, o márcia arteira, que é onde ela agora anda compartilhando alguns de seus trabalhos de artesanato em e.v.a.. enquanto estive por lá, ela fez até uma boneca-joice que, aliás, é a minha cara. ou ao menos no cabelo e no vestidinho preto.

a márcia é uma criatura super hiper habilidosa e sempre foi arteira, muito antes da formação acadêmica em artes visuais. ela é professora de artes e coordenadora de uma escola que é uma cooperativa de professores. especialista em reciclar coisas, a márcia tem o dom de transformar tudo em coisas bonitas e bacanas. e agora ela tá descobrindo na blogosfera pessoas que fazem trabalhos semelhantes e que compartilham essa vontade de criar e ensinar pessoinhas a imaginar que tudo pode ser diferente daquilo que elas vêem.. enfim, boa sorte pra márcia arteira em sua incursão blogosférica.