Tuesday, October 14, 2008

Thursday, October 02, 2008

eita povo mais maluco!

"A Federação Nacional de Cegos (NFB), a maior organização de cegos dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira mobilizações contra o filme Ensaio sobre a Cegueira em sua estréia por considerar que retrata os portadores de deficiência visual como depravados."
do terra, cinema & dvd

sei lá. é tamanho o desentendimento em relação ao que seja a história imaginada por José Saramago que ler algo assim chega a ser engraçado.

Thursday, September 11, 2008

textos não dão em árvores







já conhece o assinado: tradutores?

tudo começou com a mobilização, em dezembro de 2007, de um grande número de tradutores que rapidamente aderiram a um abaixo-assinado de repúdio aos casos suspeitos e comprovados de plágios de traduções por parte de algumas editoras. o que essas editoras fizeram foi basicamente (re)editar obras já traduzidas e publicadas como publicações novas com novas traduções, só que assinadas por tradutores inventados. foi a partir dessa movimentação toda que surgiu o assinado: tradutores para divulgar esse debate e buscar novas adesões.

além disso, o blog é também parte de uma mobilização pelo reconhecimento dos tradutores e da tradução, e vem conseguindo excelentes resultados junto às editoras, livrarias, universidades e publicações jornalísticas.

a imagem acima é o logotipo do http://www.yourauthor.org/

Monday, September 08, 2008

heavy dreamer


















aliedo, no sempre imperdível diário gauche.

ímpetu









liniers

Sunday, August 10, 2008

partida

















brida, frida, ou simplesmente madalena
10.5.1995 - 7.8.2008

e não dá pra dizer mais nada.

Friday, June 20, 2008

tirando o pó ou... do caráter acidental do destino















"(...) caminhava e compreendia algo que antes só havia entendido em suas leituras da tragédia grega clássica: como é fácil a vida virar para um lado em vez de virar para o outro, como é acidental o destino de uma pessoa... em contrapartida, como o destino pode parecer acidental quando as coisas não podem deixar de ser o que são. Ou seja, Coleman caminhava sem compreender nada, sabendo que não conseguiria compreender nada, ainda que imbuído da ilusão de que teria compreendido metafisicamente alguma coisa muitíssimo importante a respeito da sua teimosa decisão de determinar o seu próprio destino se... se fosse possível compreender essas coisas."

do narrador d'a marca humana -- página 164, companhia das letras, 2007, tradução do paulo henriques britto -- sobre coleman silk, personagem do livro fascinante do philip roth. há poucos meses li o animal agonizante, também traduzido pelo paulo henriques britto, e foi aí que comecei a conhecer esse autor que já se tornou o meu mais novo escritor preferido. na listinha das próximas leituras estão: homem comum e fantasma sai de cena.

Saturday, June 07, 2008

é hoje, daqui a pouco...























...festa da helô com desfile anos '5o do brechó abracadabra.

arte do pessoal da nativu design: o emerson, meu amigo e agora também companheiro de fisioterapia e o valdér, que eu já conhecia e agora conheci de novo :)

Sunday, May 25, 2008

blindness, emoção sólida

o pablo vilela do cadê o revisor? postou lá esse vídeo aí e disse assim: duvido você não engasgar.
pois é, eu também.

no vídeo, josé saramago e fernando meirelles logo após assistirem à estréia do filme, em lisboa.
também vale a pena ler o comentário do fernando meirelles sobre esse momento, publicado na folha de sp, disponível no blog do tas.
um pedacinho:

emoção sólida, dessas que se pode cortar em fatias com uma faca.
fernando meirelles


Sunday, April 27, 2008

a respirada









boa semana aí!

a tira é do blog do rafael sica

Wednesday, April 23, 2008

Saturday, March 08, 2008

é mais ou menos isso















A harmonia secreta da desarmonia: quero não o que está feito mas o que tortuosamente ainda se faz. Minhas equilibradas palavras são o luxo de meu silêncio. Escrevo por acrobáticas e aéreas piruetas -- escrevo por profundamente querer falar. Embora escrever só esteja me dando a grande medida do silêncio.

E se eu digo "eu" é porque não ouso dizer "tu", ou "nós" ou "uma pessoa". Sou obrigada à humildade de me personalizar me apequenando mas sou o és-tu.

Sim, quero a palavra última que também é tão primeira que já se confunde com a parte intangível do real. Ainda tenho medo de me afastar da lógica porque caio no instintivo e no direto, e no futuro: a invenção do hoje é o meu único meio de instaurar o futuro. Desde já é futuro, e qualquer hora é hora marcada. Que mal porém tem eu me afastar da lógica? Estou lidando com a matéria-prima. Estou atrás do que fica atrás do pensamento. Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo não deixando, gênero não me pega mais. Estou num estado muito novo e verdadeiro, curioso de si mesmo, tão atraente e pessoal a ponto de não poder pintá-lo ou escrevê-lo.

(...)

Quero escrever-te como quem aprende. Fotografo cada instante. Aprofundo as palavras como se pintasse, mais do que um objeto, a sua sombra. Não quero perguntar por quê, pode-se perguntar sempre por quê e sempre continuar sem resposta: será que consigo me entregar ao expectante silêncio que se segue a uma pergunta sem resposta? Embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim.

E depois saberei como pintar e escrever, depois da estranha mas íntima resposta. Ouve-me, ouve o silêncio. O que te falo nunca é o que te falo, e sim outra coisa. Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela e estou à tona de brilhante escuridão. Um instante me leva insensivelmente a outro e o tema atemático vai se desenrolando sem plano mas geométrico como as figuras sucessivas num caleidoscópio.

Entro lentamente na minha dádiva a mim mesma, esplendor dilacerado pelo cantar último que parece ser o primeiro. Entro lentamente na escrita assim como já entrei na pintura. É um mundo emaranhado de cipós, sílabas, madressilvas, cores e palavras -- limiar de entrada de ancestral caverna que é o útero do mundo e dele vou nascer.

clarice lispector in "água viva", círculo do livro, 1973.

hoje!























arte: nativu design

Tuesday, February 19, 2008

das boas

He had that rare weird electricity about him - that extremely wild and heavy presence that you only see in a person who has abandoned all hope of ever behaving "normally".
- Hunter Stockton Thompson

mais

por falar em música, outro dia comentava com o saliel sobre certa tendência a subestimar o gosto das pessoas pela música clássica. talvez isso aconteça pelo fato das pessoas que gravitam na órbita do meu planeta, de um modo geral, considerarem até bacana, mas após uma música ou duas já vão achando meio sacal e tal. porém, já que pessoas se manifestaram, aí vai mais uma dica. radio swiss classic. além da programação ser deliciosa e bastante diversificada dentro do gênero, o site da rádio ainda fornece toda a programação detalhada, com informações sobre compositores, intérpretes, concertos, versões, cds, incluindo opção para compra, é claro.
divirta-se! : )

apartheid soneto



















poema visual de avelino de araújo

do poema/processo 1967
cheguei até lá por essa postagem do ulysses, na esquerda festiva

Monday, February 11, 2008

schopenhauer







a inexprimível profundidade da música, tão fácil de entender e no entanto tão inexplicável, deve-se ao fato de que ela reproduz todas as emoções do mais íntimo do nosso ser, mas sem a realidade e distante da dor. [...] A música expressa apenas a quintessência da vida e dos eventos, nunca a vida e os eventos em si.

via p.q.p. bach - que, aliás, é uma ótima dica para quem gosta de música boa.


Monday, February 04, 2008

some devil

some devil some angel
has got me to the bones
you said always and forever
now I believe you baby
you said always and forever
is such a long and lonely time


lyrics, the whole thing: some devil, dave matthews

Monday, January 28, 2008

as cobras








luis fernando verissimo

lindamente

do ração (razão) das letras:

(...)
E, conclui lindamente:

"Cada leitor procura algo no poema. E não é insólito que o encontre: já o trazia dentro de si."

halem, citando octávio paz.

lfv, a entrevista








à exceção de algumas perguntas bastante infelizes quase no estilão "qual a sua cor preferida?", está uma delícia a entrevista do luis fernando veríssimo para a revista caros amigos. futebol, política, esquerda, literatura e fazer literário são os temas que marcam a entrevista feita por e-mail, uma vez que lfv é sabidamente pessoa pouco dada a falatórios e rodas jornalísticas. como resultado disso, a entrevista é especial, tem a leveza e o toque de espontaneidade e humor de qualquer texto do lfv, só que elaborado a partir de questionamentos. o site da revista traz um fragmento da entrevista. aí abaixo, mais alguns:

você compartilha da opinião quase unânime de que o presidente Lula é analfabeto e precisa ler?

- olha, com algumas exceções, como o Costa e Silva, que confundia latrocínio com laticínio, fomos sempre governados por homens letrados, muitos deles intelectuais de nome, que conseguiram construir o país mais desigual e injusto do mundo sem cometer um erro de concordância.

(...) o que te deixa encolerizado?
- qualquer forma de hipocrisia, qualquer forma de prepotência e injustiça, qualquer derrota do Internacional.

outros fragmentos:

- um dos meus escritores favoritos é o inglês Evelyn Waugh, que era um esnobe, um reacionário e um carolão, mas tinha a melhor prosa da sua época, o que para mim desculpava tudo. Borges é outro exemplo. se não fosse um conservador, não seria o Borges e perderia a graça.

- a causa pela qual vale a pena lutar é uma idéia de sociedade (...), uma idéia de comunidade e justiça compartilhadas, acima das ambições individuais e da moral do mercado.

- (...) você não precisa simpatizar com o Lula para apreciar que o ódio que ele desperta em parte do nosso patriciado é um bom sinal, de que a novidade está tendo efeito e certos pressupostos antigos sobre quem tem direito ao poder no Brasil já não valem.

- (...) o governo Lula, a mesma coisa, só que nesse caso a gente tende a ser mais a favor do que contra para não engrossar o coro dos reacionários, que já é suficientemente grosso. esse tal de novo populismo na américa do sul é importante menos pelo que é do que pela sua origem, o fracasso de políticas públicas neoliberais recentes em cima de todos os anos de descaso social das elites do continente, que agora têm que enfrentar os Chavez e os Morales e outros monstros que criou. o novo populismo, ou como quer que se chame isso, também tem seu lado animador e seu lado discutível, além do seu lado precário. já a esquerda brasileira continua como sempre foi, dividida.

- a economia, pelo que eu leio e ouço, vai melhor agora do que ia sob um governo abertamente neoliberal, o que leva a concluir que o PT pelo menos está sendo eficiente na sua incoerência. (...)

- esse negócio de que eu falo pouco é um mito, os outros é que falam muito.

Tuesday, January 08, 2008

falco



















alex falco, do juventud rebelde - diario de la juventud cubana

lost in translation

estou no olho do furacão. é o que respondo, se me perguntam. é a melhor expressão para definir meu momento. estou concluindo a tradução do vigésimo quarto dos trinta capítulos de um livrão. faltam agora pouco mais de 140 páginas e meu prazo é final de janeiro...(!) depois ainda preciso revisar tudo a partir do décimo primeiro capítulo. taí uma coisa que aprendi ao longo deste extenso trabalho, nunca mais deixar tanta coisa para revisar no final. por um lado, é bom, pois a partir de uma leitura posterior, já com algum distanciamento do texto, eliminam-se mais facilmente aqueles vícios das inúmeras leituras. on the other hand, é trabalhoso pra caramba! em função da necessidade de ganhar dinheiro e mostrar trabalho para a editora, é preciso seguir em frente com o texto, sem empacar muito naqueles trechos cabeludos para os quais a consulta a quatro ou cinco dicionários, mais algumas buscas no gúgo, não tenham resultado em uma solução satisfatória. daí a criatura vai deixando duas ou três soluções para um mesmo trecho, ou apenas grifos, que antes faziam todo o sentido do mundo, mas depois complica bastante na hora de retomar todo aquele contexto. por isso é tão importante, ao menos na minha experiência e para o meu jeito de trabalhar, e sobretudo no caso de um livro assim tão extenso, já na elaboração do glossário de tradução, a elaboração também de uma espécie de código de possibilidades, indicações ou qualquer coisa assim. elaborei uma codificação atrasada e bastante improvisada que até ajuda, mas precisa e pode melhorar. isso, aliás, é uma das coisas que mais me fascinam na tradução. a possibilidade de aprender e inventar sempre, sempre, o tempo todo. uma coisa ou outra. de um jeito ou de outro. 2008, até aqui, segue a vidinha. para compensar, depois, em fevereiro... tem que ter mais que carnaval. será?

boa semana aí!

Monday, January 07, 2008