Friday, September 21, 2007

embriaguem-se

É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.

Com o quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.

E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à Vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são, e o vento, a Vega, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:

É hora de embriagar-se! Para não serem os escravos martirizados do Tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso.

Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.

Charles Baudelaire


trazido na cara dura, direto do diário gauche.

6 comments:

saliel said...

Ê manguaça boa!

Na tradição, o primeiro ato praticado por Noé depois do dilúvio foi um tomar um bom pifa.

Não sei porque pensei em dilúvio.

--saff

joice said...

ahan.

..o que você quis dizer com isso mesmo, Saliel?

:P

zealfredo said...

Na boa. O Cristóvão tem produzido uns textos tão bons, que eu tenho copiado direto lá para o Mosca Azul.
Se bem que neste papo de embriaguez, dependendo da substância, é como dia as propaganda, "use com moderação"... :))

Paulo Lima said...

Ahhh essas flores do mal e suas sugestões para começar a sexta-feira...

joice said...

é, Zealfredo, o Cris tá que tá! e ele tem um jeito de escrever que é bom demais de ler.
um abraço.

joice said...

Sr. paulolima por aqui.. (:
e tava boa a sexta aí?